O meu nada
   
 



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quando alguém não tem nada I

Depois de muito tempo volto a escrever... Foi um período razoável, minha vida não estava das mais fáceis e a cabeça não permitiu falar do nada com tantas coisas nela. O que tenho pra falar hoje é sobre a relatividade do nada quanto a sentimentos. Quantas vezes nos deparamos com alguém triste, cabisbaixo? As perguntas, se nos importamos, são, quase sempre, "o que você tem?", "qual o problema?" ou ainda "o que está acontecendo?" a resposta, na maioria da vezes, é também semelhante, "nada." Como nada? É visível que há algo errado. Por que esconder? Sei que há vários motivos para essa resposta, mas o melhor seria simplesmente dizer a verdade, ou pelo menos não escondê-la. Na minha cabeça um “não quero falar sobre isso” é bem melhor, “problemas meus” seria uma outra opção mais sincera e aceitável. Deixar o problema na forma de nada dá a quem quer verdadeiramente ajudar uma sensação de incapacidade e inutilidade enorme, fica-se de mão atadas, há formas de ajudar sem usar palavras, que muitas vezes são mais eficazes. Um olhar, uma mão, coisas que diante do nada são inúteis. Por isso, na minha opinião, quem tem nada sempre tem muito, mesmo velados os problemas existem. Eles não vão deixar de estar lá ao apenas pronunciar um nada. Quando se faz quaisquer das perguntas acima, o que se quer é somente ajudar e a melhor maneira quem vai decidir é quem está passando pelo problema. A importância que se dá ao nada fortalece o pior e não se deixar ajudar não é definitivamente a melhor solução. Por isso mesmo que não se queira conversar um sincero “não é da sua conta” talvez seja o melhor caminho.

Escrito por Rafa às 10h32
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